sexta-feira, 22 de março de 2013

Entrevista: SIDRACK SANTOS FEITOSA








MORROS ESTÁ JOGADA AO CAOS



Depois de uma exaustiva corrida nas eleições para prefeito, Sidrack Feitosa (PV) diz que a principal estratégia para uma boa administração é ser honesto com o dinheiro público.

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Por BATTISTA SOAREZ

Sidrack Feitosa
Ele nasceu num povoado de Morros. Estudou à luz de lamparina. Ia para a escola a pé, na areia quente e teve uma infância difícil. Este é apenas o começo da história de vida de Sidrack Santos Feitosa, de 37 anos. Filho de militar ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, ele diz que viu a energia elétrica chegar no seu bairro aos 18 anos de idade.
O pai de Sidrack era integrante da FEB (Força Expedicionária Brasileira) e criou os filhos num regime familiar muito rígido. "Filho de meu pai não achava nada na rua e tinha de respeitar os mais velhos", testemunha ele, lembrando que seu genitor foi fundador do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Morros, Axixá, Icatu, Presidente Jucelino e Rosário.
Afirma, ainda, que fez todo o ensino fundamental e médio em Morros e, logo que concluiu o ensino básico, viajou para a Baiha, onde faz faculdade de Teologia, na Faculdade Latino-Americana (Instituto Adventista de Ensino do Nordeste - IAENE). Depois de se formar, foi ordenado pastor, trabalhando quatro anos na função. Formou-se em Direito, no UNICEUMA, e em 2012 decidiu ser candidato a prefeito de Morros pelo Partido Verde (PV). Na sua casa, na Pousada Peixinho, ele concedeu a seguinte entrevista:

Battista Soarez
As eleições de 2012, em Morros, foram muito confusas. Como foi a experiencia de ser candidato a prefeito pela primeira vez?
 Sidrack Feitosa A experiência foi boa. Principalmente porque conseguimos levar nossa proposta para o povo, mostrar nosso pensamento e, assim, considero ter tido bom resultado.

 BS Como você analisa, hoje, a política de Morros? Qual a real situação?

 SF É muito triste. Eu tenho rodado pelos povoados da área rural de Morros e vejo o povo abandonado, a cidade abandonada, buracos em tudo quanto é lugar, salários atrasados, muita gente demitida. Quer dizer, tem uma situação aí muito ruim. O povo de Morros, hoje, sobrevive apenas da Bolsa Família.

BS Quer dizer, então, que não há nenhuma política pública de geração de renda, em nenhum setor social do município?
Pousada Peixinho
SF Não, não existe. Na verdade, não existe nenhuma política pública em se tratando de geração de emprego e renda. De fato, para se ter emprego, precisa-se ter política séria de geração de renda. E não há nada, na situação atual, que possa melhorar a situação do povo e, efetivamente, da cidade como um todo. Não há nada que possa gerar trabalho e renda, e nenhum incentivo a atividade de produção. As pessoas, aqui, continuam como antes: sem perspectiva de vida. Alguns vivem da lavoura, principalmente da mandioca. Mas, agora, existe uma escassez de farinha muito grande. A Bolsa Família é que tem salvado o povo de uma situação de miséria pior do que está.
BS Sendo assim, que projeto você tinha em mente ou tem, caso venha a ser candidato novamente para mudar a política social do município, tanto do ponto de vista administrativo, quanto do ponto de vista econômico?
Morros tem cachoeiras, lagoas e rios. Potencial turístico.
SF Nosso principal projeto para a cidade de Morros é geração de emprego e renda. A maior necessidade do povo, hoje, é geração renda. Noventa por cento da população local não tem emprego. E nenhuma atividade de renda. As pessoas vivem de biscates ou bicos. Ou, como já disse, da Bolsa Família. Você há de convir que, sem trabalho e renda, não haverá dignidade. No entanto, Morros tem um potencial muito grande na área do turismo e na área da agricultura. A grande maioria da população do município é agricultora. Mas, em Morros, nunca teve sequer um trator para ajudar o agricultor em suas atividades de produção. Nada foi investido até hoje em agricultura. Nosso projeto para Morros é trazer indústria para o setor de agronegócio, para o turismo, e também investir em estrada. Mais de duzentos povoados não têm estrada. Logo, não se tem como escoar a produção porque as estradas são intrafegáveis, em razão da grande quantidade de areia nas estradas, onde só se consegue trafegar por meio de caminhões traçados.
BS É fácil convencer o povo acerca de uma proposta de governo realmente honesta, que era e é o seu caso efetivamente? Ou as pessoas já estão acostumadas com barganhas políticas, compras de votos e outras coisas mais?
SF Não diria que é fácil. Digo apenas que o povo de Morros teve uma oportunidade. Não me candidatei para brincar com a boa fé do povo. Me candidatei para governar com absoluta transparência e dedicação. Isto é parte do meu caráter. Tem, dentro de mim, uma visão de futuro melhor para o povo. Agora, tudo isto é muito difícil porque a gente luta contra o poder. Inclusive o poder econômico. Um poder que é desonesto e nefasto. E esse poder econômico utiliza-se do dinheiro do próprio povo, e de todas as armas, para poder virar a cabeça do povo. Logo, é uma briga muito forte. Inclusive, há uma ideologia de projeto de vida quanto ao dinheiro, por parte de quem está no poder. Querem fazer fortuna com o dinheiro público. Não foi fácil. Mas, graças a Deus, foram mais de dois mil votos que acreditaram no meu projeto de desenvolvimento para Morros. Isto mostrou que ainda há muita gente que acredita em coisa séria.
BS A imprensa, em geral, divulgou a ocorrência de crimes políticos em Morros. A atual prefeita, Silvana Malheiros, responde a dois processos: um por crime eleitoral, e o outro por improbidade administrativa. Você acredita que essa é uma prática constante da administração pública na cidade de Morros?
SF Essa administração, que passou quatro anos no poder, e agora tá iniciando a continuidade no governo municipal, cometeu muitas falhas. E sempre se prevalecendo do dinheiro do povo. Quer dizer, o dinheiro não é empregado naquilo que realmente é administração pública para o povo. Nos últimos quatro anos, segundo o Portal da Transparência, mais de 100 milhões de reais foram destinados para o município de Morros. E não se vê nada que tenha sido feito. Saiu dinheiro para água, e não se vê água. Saiu dinheiro para estrada, e não se vê estrada. Saiu dinheiro para casas populares, e não se vê casas populares. Então, o desvio foi muito grande. O que se espera é que tudo seja investigado e os responsáveis sejam punidos.
BS Se tivesse sido eleito, de que forma você resolveria esse problema?
SF Nosso pensamento sempre foi empregar aquilo que é do povo para o povo. Minha visão administrativa não é entrar na prefeitura para me dar bem com o dinheiro público. Não é ganhar dinheiro. Meu projeto é cuidar do povo como se cuida de família. Entendo que o que vem do povo, deve ser empregado para o povo. Esta é a nossa visão administrativa para o município de Morros.
BS Então, nesse caso, que potencial você vê em Morros para geração de renda e emprego?
SF Morros tem um potencial muito grande na área do turismo. Até hoje o poder público municipal não investiu nada no turismo. Nosso município fica bem localizado no eixo que liga São Luís a Barreirinhas. Barreirinhas é o maior polo turístico do Maranhão, visto, aí, pelo mundo inteiro. E o turista passa dentro de Morros. Mas apenas passa dentro do município. Por que não fica nada por aqui. E a cidade tem um grande potencial turístico que se popde explorar. Têm muitos rios, muitas nascentes, cachoeiras, lagoas, trilhas, etc. Mas nada é feito nesse setor. Então, o investimento imediato no turismo já poderia trazer um resultado muito grande em matéria de desenvolvimento local e geração de renda para a população.

BS Você nasceu em Morros. E, portanto, conhece muito bem a realidade do seu município. Fui informado de que você vem trabalhando junto à população mesmo sem ter vida pública, ou seja, mesmo antes de ser candidato. Quais os benefícios que você tem feito?

SF — O nosso principal trabalho sempre foi na área social. Fizemos, a princípio, um trabalho religioso por quatro anos. Mas fizemos muitas atividades sociais junto à comunidade. Na área do meio ambiente já fizemos muito, inclusive para proteger as nascentes. A carência, aqui, é muito grande: falta saúde, falta estrada, falta educação, falta tudo. Morros, ainda hoje, têm escolas que funcionam debaixo de árvores. E isso é vergonhoso. Há escolas cobertas de palha, num total desconforto para a clientela escolar. Enfim, o atraso social de Morros muito grande. Por isso, a gente, mesmo como cidadão comum, já temos feito vários trabalhos nas comunidades mais carentes, por entender que as pessoas não merecem tanto descaso do poder público.


BSÉ verdade que, mesmo sem ser político, você já levou luz a algumas comunidades rurais, distantes da área urbana?
SF — É verdade. Rodando pela zona rural, descobrimos que Morros tinha, ainda, 75 povoados sem energia elétrica. Então, comovidos por tal situação, procuramos a Eletronorte, que mandou uma equipe a ter conosco, e, aí, visitamos todos esses povoados, casa por casa, cada família, povoado por povoado e, assim, a Eletronorte veio colocar energia e ainda está fazendo esse trabalho a nosso pedido. Quer dizer, parte desses povoados já tem energia elétrica. Estive, nesta semana, com o presidente da Eletronorte e ele me garantiu que todos os outros povoados restantes vão ter energia.
BS — Você ainda pretende ser candidato? Ou tem outros projetos?
SF — A questão de ser candidato é uma pergunta interessante. Por que? Porque o nosso objetivo não é ser candidato simplesmente por ser candidato. Nós temos um projeto, uma ideologia para o município de Morros. Queremos mudar a história de Morros, gerar emprego e renda para a população jovem e adulta. Fazer o povo ser feliz e mostrar para a sociedade em geral que é possível, sim, administrar um município com seriedade, dedicação, boa vontade e absoluta transparência. Agora isto não depende só de mim. Depende, também, e principalmente, do povo. Daqui a quatro anos, se o povo achar que precisa mudar e que se pode mudar, nós estamos nos preparando cada dia mais para cuidar deste município como se cuida de família.

BS O que você está me dizendo, por exemplo, é que se pudesse fazer tudo isso sem ser político, faria?

SFO nosso lema sempre foi: Deus está no leme, cuidando do povo como se cuida de família. Quando você tem uma visão pública de família, você quer sempre o melhor para o povo. Porque, em família, a gente quer sempre o melhor para a família. E isto, independe de ser político. Logo, você procura trabalhar com muita dedicação para dar o melhor. Porque quando somos movidos pelo sentimento de família, se procura trabalhar dia e noite, dedicadamente, pelo bem-estar da família. Você procura o melhor plano de saúde, o melhor hospital, a melhor educação, o melhor transporte, o melhor de tudo, enfim. Se somos movidos pelo sentimento de família, nossa visão é querer sempre o melhor para a família. E este é o meu projeto: cuidar do povo como se cuida de família. E o povo de Morros está aí, abandonado, enganado e maltratado. E não pode continuar assim.
Belas lagoas e muita beleza ambiental
BS Como você observa o trabalho da governadora Roseana Sarney, principalmente para a região de Morros e do Muni, de modo geral?
SF — A governadora Roseana Sarney tem sido uma mãe para esta região. A nossa região tem dois momentos: antes da governadora, e depois dela. Ela foi quem trouxe esta ponte que liga Morros a outras regiões. Antes, o lugar era isolado. A gente atravessava de barco. Ela construiu a estrada que liga Morros a Barreirinhas, principal polo turístico do Maranhão. Ela também trouxe a UPA para nossa cidade, que hoje é a salvação da saúde do povo de Morros. Então, só posso dizer que ela é uma mãe para o povo da região.

BS Você é pastor adventista licenciado. Que elementos existem na vida eclesiástica que seriam referenciais de apoio na vida pública, e quais elementos da política seriam não recomendáveis para a vida cristã? Ou seja, política e ministério pastoral podem conviver harmoniosamente?

SF — Os principais elementos estão na Lei de Deus. Primeiro, é não roubar. Sabe-se que, hoje, existe uma prática costumeira da corrupção. As pessoas entram na gestão pública para ganhar dinheiro e se dar bem na vida. Ou seja, para desviar o dinheiro do povo. E isso é contra a Bíblia. Ser honesto é um dos fundamentais princípios cristãos. Se os princípios cristãos forem levados em conta na vida pública, o povo será o principal beneciado. A Bíblia diz que "bem aventurado é o povo cujo Deus é o Senhor". E se o administrador segue os princípios blíblicos, ele conseguirá fazer uma boa dministração.

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