A contemporaneidade refere-se ao tempo presente, ao período atual ou à característica do que existe simultaneamente. Ela se define pela rápida evolução tecnológica, pela globalização e por profundas transformações sociais e culturais, representando o "hoje" na história. É marcada por conexões fluidas, diversidade cultural e reflexões pós-modernas. As intensas mudanças sociopolíticas deixam a igreja míope, reclusa entre quatro paredes e perturbada emocional e espiritualmente. Dessa maneira, ela tornou-se uma igreja improdutiva, inerte, despreparada, dividida (sem poder), preguiçosa e fraca intelectualmente. Ou seja, uma igreja que deixou de pensar e fazer.
Enquanto isso, a espiritualidade contemporânea é marcada pela busca individual por sentido e conexão, desvinculada de instituições religiosas tradicionais (desinstitucionalizada). E por isso se estagna mergulhada numa total palidez social e espiritual sem precedentes. A igreja contemporânea não consegue, de maneira alguma, transformar o mundo conforme a Bíblia ordena (Romanos 12.1-2).
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Em vez disso, ela foca no bem-estar de sua zona de conforto, na meditação vazia (uma espécie de "yoga evangélia"), em terapias holísticas e experiências personalizadas, valorizando a experiência interior, intimista, sem unidade coletiva (deixou de ser corpo social em Cristo), pouca ética cristã e propósito de vida sem significado, muitas vezes integrando fé e prática numa vida cotidiana confusa e morna, sem a verdadeira chama do Espírito Santo de Deus. Ufa! Cadê a Igreja que, em Mateus 28.18-20, o Senhor Jesus Cristo comissionou a pregar o Evangelho a toda criatura (fora dos portões), ensinando as pessoas a guardarem o que Ele ensinou? Ora, se a igreja não estuda o evangelho de Jesus, ela não tem o que ensinar às criaturas, obviamente.
Por isso digo que as principais características e tendências da igreja moderna são desinstitucionalização e crescimento do "sem religião" ou "espiritual, mas não religioso", em que a busca espiritual é independente dos princípios bíblicos e das doutrinas da igreja cristã. Os desigrejados se declaram "casa de Deus", mas sem compromisso com igreja evangélica. Sem participar da fé comunitária, eles seguem a sua espiritualidade sem a fraterna comunhão com a coletividade no corpo de Cristo.
A experiência espiritual tornou-se totalmente individualista, em que "a paz do Senhor" deixou de ser valorizada coletivamente como dantes. E a espiritualidade, assim, torna-se uma jornada pessoal ("faça você por si mesmo"), em total desacordo com as Sagradas Escrituras. Assim, a espiritualidade contemporânea se desintegralizou, passando a habitar num abismo de religiosidade "solo" e caminhada insociável.
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Nesse sentido, a conexão com o cotidiano descortina uma espiritualidade que é expressa por meio de práticas intimistas como meditação sem reflexão na Palavra de Deus, meditação da atenção plena, e a busca por bem-estar físico, mental e financeiro.
Existe, estranhamente, de forma camuflada, uma certa valorização da natureza e do corpo. Culto à terra, sustentabilidade e valorização do corpo como templo sem a verdadeira busca do Espírito de Deus. Temos, então, uma igreja atolada em manifestações emocionais dizendo que é mover do Espírito Santo. Puro engano.
Não há uma sapiente busca por propósito divino, nem foco no autoconhecimento relevante em renunciabilidade, na gratidão ao Senhor, no perdão e no serviço fraternal. O que se vê é um serviço desinteressado e sem nexo com a prática cristã. Os crentes carregam a Bíblia na mão mas viraram as costas para a Palavra de Deus. A espiritualidade moderna, enfim, mergulhou no modernismo frio e vazio de Deus.
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Parece evidente que a igreja moderna se abasteceu do espírito da Nova Era (New Age) e das espiritualidades alternativas de pouca significância socioexistencial. Há uma visível incorporação de elementos "esotéricos", misticismo e terapias alternativas, como se isso fosse coisa de Deus. A verdade é que sem estudo profundo da Palavra de Deus, sem santidade, sem oração, sem intimidade com o Senhor e sem comunhão com Deus e com o próximo não há espiritualidade verdadeira.
Hoje fala-se até em espiritualidade e saúde, reconhecimento da espiritualidade como fator de resiliência e saúde mental integrativa. Isto é bom e necessário, mas onde fica o verdadeiro relacionamento com Deus e entre os crentes? Onde fica a unidade do corpo de Cristo (João 17.20-23)?
Essas formas de espiritualidade buscam respostas para os dilemas humanos em um mundo secularizado, propondo uma "teologia encarnada" ou uma "ciência espiritual universal" que une corpo, mente e espírito. Mas tudo isso, nos dias atuais, está distante do contexto da Palavra de Deus. A teologia crítica tem ficado em silêncio, enquanto a igreja prossegue nos seus caminhos e descaminhos que oscilam entre horizontes ruins e piores, na contramão da vida cristã normal. Vivemos, então, uma contracultura da cultura do evangelho do Reino de Deus.
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