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terça-feira, 3 de março de 2026

COLUNA LEITURA LIVRE | por Battista Soarez

COLUNA LEITURA LIVRE 
Por Battista Soarez
(Jornalista, escritor, sociólogo, teólogo e professor universitário)

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Você está preparado para a volta de Jesus?
O Apocalipse diz que Cristo voltará e sinais escatológicos, nos dias atuais, indicam que algo está para acontecer no universo.

Guerras e outros eventos chamam a atenção do mundo para a volta de Jesus Cristo | Foto: Divulgação.

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NUNCA O MUNDO, na história da humanidade, foi tão impactado por fenômenos apocalípticos como nos dias atuais. Agora já é o fim dos últimos dias e vários desastres têm ocorrido com frequência. Alguns eventos importantes dos últimos dias nas profecias bíblicas apareceram. A profecia em Apocalipse 22.12 afirma:Eis que cedo venho”. Por causa desta promessa do Senhor, temos ansiado e esperado pela segunda vinda de Jesus. Então, o Senhor retornou? Entender esta questão é muito importante para todos os cristãos e está diretamente ligado a se seremos ou não capazes de acolher o Senhor e sermos arrebatados para o reino dos céus. Na verdade, o Senhor Jesus já nos disse a resposta por meio de profecias bíblicas. Então, quais são os principais eventos do fim dos tempos nas profecias bíblicas?

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O primeiro sinal do retorno do Senhor: terremotos, fomes e guerras. Mateus 24.6-8 diz: “E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. Mas todas essas coisas são o princípio das dores”.

Nos últimos anos, guerras têm ocorrido com frequência, como a guerra civil em Mianmar em 2021 e a guerra Rússia-Ucrânia em 2022, que podem potencialmente aumentar e desencadear agitação global. Em 2023, o conflito Israel-Palestina intensificou ainda mais a situação no Oriente Médio, entre outros incidentes. E agora mesmo Irã, Israel e EUA estão em conflito e põem o mundo em alerta geral. Além disso, pandemias globais continuam a causar estragos, e desastres naturais como terremotos, incêndios, inundações e erupções vulcânicas estão ocorrendo um após o outro.

Em fevereiro de 2023, um terremoto de magnitude 7,8 atingiu a Turquia e a Síria. Em abril de 2024, um terremoto de magnitude 7,2 atingiu Hualien, Taiwan, enquanto o Japão sofreu 155 terremotos durante o mesmo ano, com a maior magnitude atingindo 7,6. Além disso, as mudanças climáticas levaram a ocorrências mais frequentes de eventos climáticos extremos. Por exemplo, em julho de 2023, fortes chuvas atingiram a Índia, causando inundações e danos generalizados. Em 2024, o Brasil sofreu sua pior enchente em 83 anos. Em janeiro de 2022, uma enorme erupção vulcânica subaquática em Tonga desencadeou um tsunami devastador. Além disso, o ciclone tropical Freddy atingiu Madagascar, Malawi e Moçambique de fevereiro a março de 2023, tornando-se um dos ciclones tropicais mais duradouros já registrados. Além disso, cientistas alertaram que a maior “bomba-relógio” da Terra — o supervulcão de Yellowstone — pode entrar em erupção a qualquer momento, e as consequências seriam inimagináveis. A lista continua. A partir desses sinais, pode-se ver que essa profecia bíblica foi cumprida.

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O segundo sinal do retorno do Senhor: o surgimento de anomalias celestiais. Apocalipse 6.12 diz: “E vi quando abriu o sexto selo, e houve um grande terremoto; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua toda tornou-se como sangue”. Joel 2.30–31 diz: “E mostrarei prodígios no céu e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor”. Nos últimos anos, houve vários momentos em que a lua ficou vermelha como sangue. Por exemplo, houve uma série de quatro “lua de sangue” num período de dois anos, em 2014 e 2015, e, em 31 de janeiro de 2018, houve uma “superlua azul de sangue”, que ocorre apenas uma vez a cada 150 anos. Depois surgiu uma “superlua de sangue de lobo” em janeiro de 2019. Uma “superlua de sangue” ocorreu em 26 de maio de 2021, e em 8 de novembro de 2022, outra lua de sangue apareceu.

O fenômeno profetizado do sol ficando preto também apareceu e, de fato, houve muitos eclipses solares totais, como o eclipse solar total em Cingapura em 26 de dezembro de 2019, no Chile em 2 de julho do mesmo ano, um raro eclipse solar total na América do Sul em 14 de dezembro de 2020, um eclipse solar híbrido incomum em 20 de abril de 2023 e um eclipse solar total nos Estados Unidos em 8 de abril de 2024, etc. O cumprimento dessa profecia bíblica é evidente nesses fenômenos.

O terceiro sinal do retorno do Senhor: as igrejas estão desoladas e o amor dos crentes esfriou. Mateus 24.12 diz:E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará”. A desolação está se espalhando por todo o mundo religioso. A pregação de pastores e presbíteros se banalizou e caiu no lugar-comum, incapaz de prover aos crentes. Em sua disputa por status, alguns pastores estão formando camarilhas e criando facções nas igrejas, e alguns até mesmo abriram negócios, montando fábricas para conduzir os crentes na senda secular; enquanto isso, entre os crentes há uma falta de confiança generalizada e uma relutância em se separar do mundo e vivem em suas complicações exaustivas. Algumas igrejas aparentam estar lotadas e animadas, mas muitos frequentam a igreja apenas para expandir sua rede de contatos e vender produtos, usando-a como um local de comércio. Qual é a diferença entre uma igreja atual e um templo no final da Era da Lei? Nessas coisas é evidente o cumprimento total dessa profecia do retorno do Senhor.

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O quarto sinal do retorno do Senhor: o surgimento de falsos cristos. Mateus 24:4–5 diz: “Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão”. Essa profecia do Senhor indica que, quando Ele retornar, surgirão falsos cristos enganando as pessoas. Nos últimos anos, falsos cristos têm surgido e enganado as pessoas em países como China, Coréia do Sul e Japão. Esses falsos cristos não possuem a essência de Cristo nem podem proclamar a verdade, mas assim mesmo afirmam ser Cristo. O cumprimento dessa profecia é evidente nisso.

O quinto sinal do retorno do Senhor: a restauração de Israel. Mateus 24.32−33 diz: Aprendei, pois, da figueira a sua parábola: Quando já o seu ramo se torna tenro e brota folhas, sabeis que está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas essas coisas, sabei que ele está próximo, mesmo às portas”. Muitos que creem no Senhor sabem que os tenros ramos e folhas da figueira se referem à restauração de Israel. Quando Israel for restaurado, o dia do Senhor estará próximo, e Israel foi restaurado em 14 de maio de 1948. Obviamente, essa profecia do retorno do Senhor foi integralmente cumprida.

O sexto sinal do retorno do Senhor: a divulgação do evangelho aos confins da terra. Está registrado em Mateus 24.14: “E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”. Em Marcos 16.15, o Senhor Jesus disse a Seus discípulos após a Sua ressurreição: “Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura”. Depois que Jesus ressuscitou e subiu ao céu, o Espírito Santo começou a orientar aqueles que seguem o Senhor Jesus a dar testemunho dEle. Hoje, os cristãos se espalharam por todo o mundo e muitos países democráticos adotaram o cristianismo como religião de estado. Mesmo na China, onde o partido no poder é ateu, dezenas de milhões de pessoas aceitaram o evangelho do Senhor Jesus, e isso mostra que o evangelho da redenção da humanidade por meio do Senhor Jesus se espalhou por todo o mundo. É evidente, então, que a profecia do retorno do Senhor foi cumprida.

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Como devemos acolher o retorno do Senhor? A partir dos fatos listados acima, podemos ver que seis sinais do retorno do Senhor já surgiram. Agora é o momento crítico no acolhimento do seu retorno. O que devemos fazer antes de podermos acolher o retorno do Senhor? O Senhor Jesus nos deu a resposta a essa pergunta há muito tempo.

Em João 16.12−13, o Senhor Jesus disse: “Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora. Quando vier, porém, Aquele, o Espírito da verdade, Ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras”. Apocalipse 3.20 diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele Comigo”. Há também muitas profecias nos capítulos 2 e 3 de Apocalipse: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Como se vê nesses versículos, quando o Senhor retornar, Ele dará declarações e falará às igrejas, nos dizendo todas as verdades que não entendíamos antes. Aqueles que, ao ouvirem o discurso de Deus e reconhecerem a Sua voz, O aceitarem e se submeterem a Ele, serão capazes de acolher o Senhor e participar da festa do Cordeiro; aqueles que não reconhecem a voz de Deus, por outro lado, certamente não serão as Suas ovelhas e serão expostos e eliminados por Ele. É evidente nisso que, quando aguardamos a vinda do Senhor, é fundamental que encontremos as palavras do Espírito Santo nas igrejas e aprendamos a ouvir a voz de Deus. Como o Deus Todo-Poderoso diz: “Uma vez que estamos buscando as pegadas de Deus, cabe a nós buscar a vontade de Deus, as palavras de Deus, Suas declarações — pois onde quer que haja novas palavras ditas por Deus, a voz de Deus está ali, e onde quer que haja passos de Deus, os feitos de Deus estão ali. Onde quer que haja a expressão de Deus, ali Deus aparece, e onde quer que Deus apareça, ali existem o caminho, a verdade e a vida” (A Palavra, vol. 1: A aparição e a obra de Deus, “Apêndice 1: A aparição de Deus inaugurou uma nova era”).

Ao ouvir isso, algumas pessoas podem perguntar: “Então, aonde devemos ir para encontrar a voz de Deus?” Em Mateus 25.6, o Senhor Jesus disse: “Mas à meia-noite ouviu-se um grito: Eis o noivo! saí-lhe ao encontro!” Visto que o Senhor chama Suas ovelhas com Suas declarações e discursos, certamente haverá pessoas que ouvirão a voz do Senhor primeiro e seguirão os passos do Cordeiro, para depois anunciar por toda a parte, “Eis o noivo”, espalhando a notícia do retorno do Senhor e as palavras de Sua segunda vinda, para que todos tenham a chance de ouvir a voz de Deus. Diz-se, portanto, que para ser capaz de acompanhar os passos do Cordeiro, é preciso ter um coração que deseja buscar a Ele e saber reconhecer a voz de Deus.

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 Assim como quando o Senhor Jesus se manifestou pela primeira vez e começou a realizar a obra, e Pedro, Maria e outros reconheceram o Senhor Jesus como o Messias por meio de Sua obra e palavras e O seguiram e começaram a dar testemunho de Seu evangelho. Os que ouvem a obra e as palavras do Senhor Jesus e são capazes de reconhecer a voz de Deus são as virgens sábias, enquanto os sacerdotes, escribas e fariseus que não amavam a verdade ouviram a autoridade e o poder das palavras do Senhor Jesus, mas não os investigaram. Em vez disso, aderiram obstinadamente às suas noções e imaginações, acreditando que “aquele que não é chamado de Messias não é Deus” e aguardando o Messias se manifestar a eles. Eles até condenaram a obra do Senhor Jesus e blasfemaram contra ela e, no final, perderam a salvação de Deus.

Há também os crentes judeus que seguiram os fariseus e não distinguiram a voz de Deus na obra e nas palavras do Senhor Jesus, que ouviram cegamente os sacerdotes, escribas e fariseus e rejeitaram a salvação do Senhor. Essas pessoas se tornam as virgens tolas que são abandonadas pelo Senhor. Algumas pessoas podem perguntar: “Então, como se pode distinguir a voz de Deus?” Na verdade, isso não é difícil.

As declarações e palavras de Deus não podem ser expressas pelo homem. Devem ser particularmente autoritárias e poderosas. Serão capazes de desvendar os mistérios do reino dos céus e revelar a corrupção do homem, e assim por diante. Todas essas palavras são verdades e todas podem ser a vida do homem. Qualquer pessoa que tenha coração e espírito sentirá isso ao ouvir a palavra de Deus e terá confirmado em seu coração que o Criador está falando e proferindo Suas palavras a nós, humanos. As ovelhas de Deus ouvem a Sua voz. Se tivermos certeza de que essas palavras são a voz de Deus, então devemos aceitá-las e obedecê-las, por mais que contradigam nossas noções. Somente assim podemos acolher o retorno do Senhor.

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Atualmente, apenas A Igreja do Deus Todo-Poderoso dá testemunho de que o Senhor — Deus Todo-Poderoso encarnado — já está retornou. Deus Todo-Poderoso já proferiu milhões de palavras e essas palavras são publicadas na Internet para que pessoas de todos os países e modos de vida possam analisá-las. Uma a uma, as muitas pessoas de cada nação que anseiam pela verdade têm esperança de ouvir a voz de Deus e acolher o Senhor. Como está escrito na Bíblia: “Eis o noivo! saí-lhe ao encontro!” Se simplesmente lermos mais palavras proferidas por Deus Todo-Poderoso, buscando discernir se são a voz de Deus, seremos capazes de discinir que o Senhor está voltando. Como o Senhor Jesus disse em João 10.27: As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz, e Eu as conheço, e elas Me seguem”. Eu acredito que, desde que tenhamos um coração que busque humildemente, seremos capazes de reconhecer a voz de Deus e acolher o retorno do Senhor.

A maior esperança de um cristão verdadeiro é a volta de Cristo. Pedro, em sua segunda carta no capítulo 3, versículo 12, diz que devemos aguardar e desejar pelo dia da vinda de Cristo. De fato, todo cristão verdadeiro anseia pelo dia em que Jesus Arrebatará sua Igreja para estar com Ele para sempre. Em 2 Timóteo 4.8 diz que Jesus virá para os que amam a Sua volta.

A Bíblia nos ensina que no momento do arrebatamento nossos corpos serão transformados. Assim como nosso corpo terreno não pode herdar o reino de Deus, nada do que é material herdará o reino de Deus. Dinheiro, bens, roupas, nada disso iremos levar para o céu. Por isso precisamos nos desprender de tudo aquilo que é material. Em sua opinião, o que mais tem prendido o cristão neste mundo.

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Jesus vai voltar num momento que ninguém espera (Mateus 24:37-42 e v.44). O Filho do homem virá na hora em que ninguém estará esperando..... Muitos acham que a volta de Cristo será precedida por algum evento sobrenatural, mas a Bíblia nos ensina que será como nos dias de Noé, quando comprovam, vendiam, casavam... até o dia em que Noé entrou na arca. A vinda de Jesus também será assim.

A volta de Jesus vai pegar muitos cristãos despreparados (Mateus 25:1-13). Na parábola contada por Jesus, as 10 virgens representam a Igreja. Embora todas fossem virgens (igreja), metade não estava preparada para a vinda do noivo. Muitas pessoas que hoje estão dentro da igreja, infelizmente não vão subir no arrebatamento por que suas lâmpadas estão apagadas. Falta o azeite (símbolo do Espírito Santo).

Jesus voltará para buscar uma Igreja irrepreensível (1Tessalonicenses 5.23) O texto indicado aqui diz que devemos conservar todo nosso espírito, alma e corpo irrepreensíveis para a vinda de Jesus. Aqueles que querem realmente encontrar-se com Jesus, precisam se santificar completamente dos desejos da carne e dos prazeres deste mundo, para fazerem parte da Igreja Gloriosa, sem mácula, nem ruga, mas santa e irrepreensível (Efésios 5.27).

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A volta de Cristo tem que ser a maior esperança para o Cristão. Que possamos, a cada dia, pedir para Deus nos ajudar a nos desprendermos deste mundo tenebroso e buscarmos, como prioridade, a santificação, aguardando e desejando a volta de Cristo.

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segunda-feira, 2 de março de 2026

GUERRA NO ORIENTE | por Battista Soarez

GUERRA NO ORIENTE

O conflito no Oriente Médio tem explicação?
Quem são os aliados que sobraram ao Irã na região após ataques dos EUA e Israel.

Manifesta-se protestam contra a morte do aiatola Ali Khamenei | Foto: Divulgação.

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O ORIENTE MÉDIO está à beira de uma grande guerra regional após Estados Unidos e Israel lançarem, neste sábado (28/2), um ataque contra o Irã, que reagiu bombardeando vários países da região onde os EUA mantêm bases militares.

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Jordânia, Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e Arábia Saudita, além de Israel, foram atingidos por mísseis iranianos. Os ataques aumentam o temor de que o conflito se estenda por toda a região.

Todos são países alinhados aos EUA que, além disso, mantêm relações tensas com o grande vizinho xiita.

Donald Trump e Ahmed al Shaara. Com a aproximação do novo líder sírio, Ahmed al Sharaa, aos EUA, o Irã perdeu um aliado importante na Síria | Foto: AP Internacional. 

Os ataques foram uma resposta do Irã aos bombardeios dos EUA e de Israel que destruíram instalações no país e mataram o aiatolá iraniano, Ali Khamenei, governante de 86 anos que detinha o poder há quase quatro décadas.

Ao longo dessas décadas, o Irã cultivou um "eixo de resistência" para "compensar" a influência dos EUA e de Israel no Oriente Médio e se tornar uma potência regional.

A aliança reúne grupos como Hamas, em Gaza; Hezbollah, no Líbano; houthis, grupo da minorita xiita no Iêmen; e outros no Iraque e na Síria. A maioria desses grupos é considerada organização terrorista por alguns países ocidentais. Durante anos, esses grupos foram um desafio para os serviços de inteligência e para o governo de Israel.

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No cenário internacional, o Irã também buscou alianças com países cujos governantes compartilhavam sua ideologia antiamericana, como o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e os ex-presidentes Bashar al-Assad, da Síria, e Nicolás Maduro, da Venezuela.

Hoje, essa rede de alianças está mais fragilizada do que nunca.

Muitos dos grupos e líderes apoiados pelo Irã, financiados e treinados pelo regime, perderam força; alguns foram derrubados, e outros estão à beira do colapso.

Nicolás Maduro está preso nos EUA, e Bashar al-Assad foi obrigado a fugir de seu país após ser derrubado por oposicionistas sírios.

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O Hezbollah, mais importante grupo paramilitar que luta contra a ocupação israelense do sul do Líbano e que por muito tempo foi um dos inimigos mais temidos de Israel, foi enfraquecido após uma série de ataques israelenses contra suas instalações e sua cúpula. O Hamas também perdeu força depois da guerra contra Israel em Gaza.

A CNN Brasil fez um balanço dos aliados tradicionais do Irã na região e dos que ainda permanecem fiéis ao país.

Síria é o aliado perdido. O regime iraniano tinha na Síria de Bashar al-Assad um aliado estratégico, que servia de porta de entrada para sua influência no mundo árabe.

O Irã investiu milhões de dólares para sustentar o regime sírio. Com a queda de Assad no fim de 2024, após mais de uma década de guerra civil sangrenta, o Irã perdeu espaço no tabuleiro regional.

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O novo líder do país, Ahmed al Sharaa, ligado à órbita sunita salafista, se afastou do "eixo da resistência" e se alinhou aos EUA de Donald Trump, que o recebeu na Casa Branca e o descreveu como um homem "muito atraente".

O território sírio permitia ao Irã enviar armas, combatentes e recursos ao Hezbollah, a milícia islamista libanesa e um de seus principais aliados, com total liberdade.

Mas esse arco que ia do Líbano ao Irã, passando pela Síria e pelo Iraque, perdeu continuidade e enfraqueceu o Irã e os grupos que o apoiavam.

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O houthi

A milícia houthi, conhecida oficialmente como Ansar Allah (Partidários de Deus), é uma das principais aliadas do Irã na região e ganhou protagonismo após o enfraquecimento do Hezbollah no Líbano.

O grupo militar e político houthi é um movimento xiita que controla cerca de 30% do território do Iêmen, onde impôs um regime fundamentalista e repressivo, acusado de graves violações de direitos humanos.

O grupo foi formado na década de 1990 e é composto por membros dos zaiditas, a minoria muçulmana xiita do país, concentrada no norte do Iêmen e que representa cerca de um terço dos 33 milhões de habitantes.

Os ataques que o grupo realizou contra Israel e alvos dos EUA se intensificaram desde o início da guerra em Gaza, em 7/10/23.

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Os houthis também têm capacidade de atacar navios no estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem que liga o mar Vermelho ao golfo de Áden e ao oceano Índico, por onde circula cerca de 12% do comércio marítimo mundial.

Mas o Ansar Allah não atacou apenas navios comerciais americanos ou de Israel nas águas próximas ao Iêmen; também lançou ofensivas contra embarcações militares americanas.

Periodicamente, o grupo também dispara mísseis ou drones que conseguem alcançar Israel, embora a maioria seja interceptada pelas defesas aéreas.

Em 2025, os EUA atingiram mais de mil alvos houthis no Iêmen em uma campanha que buscava acabar com a insurgência que estava bloqueando o comércio marítimo.

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Hezbollah

O Hezbollah, partido-milícia xiita libanês, era até 2024 o principal e mais forte aliado do Irã na região.

Fundado em 1982 como um grupo de resistência a Israel, o Hezbollah se transformou em uma força poderosa que conta — ou contava — com cerca de 30 mil combatentes e influência sobre áreas importantes do Líbano.

Durante décadas, recebeu financiamento e treinamento do regime iraniano, que o utilizou como principal frente de confronto contra seu arqui-inimigo regional, Israel.

No entanto, a guerra em Gaza alterou esse cenário e desestabilizou a região.

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Após o ataque do Hamas a Israel (7/10/23) e a resposta israelense com bombardeios intensos na Faixa de Gaza, o Hezbollah abriu uma segunda frente na fronteira com o Líbano.

O exército de Israel reagiu com ataques aéreos que mataram o líder do grupo, Hasan Nasrallah, e com uma ofensiva surpresa que neutralizou diversos dirigentes militares e políticos ao detonar milhares de dispositivos eletrônicos — como pagers e walkie-talkies — que eles portavam.

O enfraquecimento do Hezbollah contribuiu para a queda de Bashar al-Assad na Síria e ampliou o isolamento do Irã.

Ainda assim, o Hezbollah mantém um arsenal significativo, capaz de atingir Israel.

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Nos últimos dias, os EUA ordenaram a retirada de funcionários não essenciais da embaixada em Beirute, diante da avaliação de que o grupo xiita ainda tem capacidade de reação.

Milícias xiitas do Iraque

Sob esse guarda-chuva estão reunidas diversas milícias de identidade xiita com fortes vínculos com o Irã, que as financia e arma.

Conhecidas também como Forças de Mobilização Popular (FMP), as milícias são afiliadas ao Exército iraquiano, mas operam de forma independente. Alguns, inclusive, respondem diretamente ao líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

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Nos últimos anos, passaram a se apresentar também como Resistência Islâmica do Iraque e realizaram ataques com drones contra o norte de Israel.

Neste sábado (28/2), integrantes dessas milícias morreram e outros ficaram gravemente feridos em pelo menos quatro explosões ocorridas após ataques aéreos em Jurf al Sakhar, ao sul de Bagdá, segundo informou à agência Reuters um porta-voz das Forças de Mobilização Popular.

Uma dessas milícias, a Kataib Hezbollah, ordenou recentemente a seus combatentes que se preparassem para uma "guerra longa" caso o Irã fosse atacado pelos EUA.

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Um de seus comandantes disse à agência AFP que era "muito provável" que o grupo interviesse em caso de ataque, pois considera o Irã um país estratégico para seus próprios interesses e, portanto, qualquer ofensiva contra esse país "é uma ameaça direta".

O alvo podem ser as bases que os EUA ainda mantêm no Iraque e que esses grupos atacaram de forma esporádica durante a guerra entre Hamas e Israel nos últimos anos.

Hamas

Ainda segundo a CNN Brasil, a milícia palestina, que ao longo das décadas também recebeu financiamento e treinamento do Irã, está enfraquecida após mais de dois anos de guerra contra Israel em Gaza.

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Embora seja uma organização sunita, uma exceção dentro do "eixo da resistência", o Hamas foi outra grande frente aberta contra Israel na região.

Hoje, embora ainda controle parte da Faixa de Gaza e preserve algum apoio entre setores da população palestina, sua capacidade de lançar ataques em maior escala foi substancialmente reduzida.

Israel matou, ao longo desses dois anos, muitos líderes do Hamas, tanto militares quanto políticos. Entre eles está Ismail Haniya, chefe político do grupo, morto em um bombardeio em Teerã em 2024, e o ideólogo do ataque de 7/10/24, Yahia al Sinwar, em Gaza.

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No restante do mundo

O Irã aprofundou nos últimos anos seus laços econômicos e militares com a Rússia, de quem recebeu armamentos e tecnologia ao contornar o embargo internacional.

A Rússia criticou os ataques dos EUA e de Israel ao Irã no sábado e afirmou que ambos estão "levando o Oriente Médio a um abismo de escalada descontrolada". Mas ela faz vista grossa para o comportamento desses regimes do ódio.

Ao mesmo tempo, a Rússia busca proteger seus vínculos com outros países importantes da região, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Israel.

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A recente reaproximação entre Rússia e EUA, após o retorno de Trump à Casa Branca, pode ser um fator que limite a resposta russa.

A China também exigiu um cessar-fogo imediato e pediu que se respeite a soberania iraniana. A China tem sido um parceiro comercial vital para o Irã e, em 2025, comprou uma fatia significativa do petróleo iraniano mesmo sob sanções impostas pelos EUA.

As sanções restringem o volume de comércio entre os dois países, razão pela qual o Irã recebeu menos investimentos chineses do que os países do Golfo.

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Apesar dos laços, a China é uma potência com interesses globais e tende a evitar que conflitos externos afetem sua conveniência geopolítica.

O Irã também manteve vínculos com a Coreia do Norte que se originaram na década de 1980, durante a guerra entre Irã e Iraque, embora as sanções a que ambos estão sujeitos limitem sua atuação.

Além disso, o Irã cultivou laços e simpatia com a Venezuela desde os anos 2000, quando Caracas e Teerã estabeleceram uma aliança estratégica e assinaram mais de 180 acordos bilaterais em diversas áreas, com um valor total estimado em US$ 17 bilhões (cerca de R$ 85 bilhões), a maioria dos quais não saiu do papel ou foi abandonada.

A captura de Nicolás Maduro (3/1) por parte dos EUA deixou a relação, cujos benefícios para o Irã sempre foram mais simbólicos do que materiais, em suspenso.

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