COLUNA LEITURA LIVRE
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Por Battista Soarez
(Jornalista, escritor, sociólogo, teólogo e professor universitário)
O que está por trás das eleições de 2026 no Maranhão
Perseguição jurídica pode ser usada como "arma" para impedir políticos em ascensão de serem candidatos.
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| Políticos que lideram nas pesquisas no Maranhão correm o risco de serem perseguidos juridicamente | Foto: Divulgação. |
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HÂ UMA GANANCIOSA disputa política pelo Maranhão. Durante décadas, isso foi protagonizado pelo grupo Sarney. Agora, Flávio Dino entendeu que ele é o único merecedor desse continuísmo exagerado e opressor que coloca o estado num curral de pobres e miseráveis que parece não ter fim a cada troca de personagens do governo. A própria máquina pública e a justiça são utilizadas sem controle para esse fim.
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Aliás, Dino foi para o STF exatamente com a missão de se perpetuar no controle do poder e manter o Maranhão sob seu comando. Sua posição no Supremo Tribunal Federal é estratégica. Qualquer político que ameaçar derrubar sua dominância será perseguido juridicamente, terá sua imagem pichada pela mídia comprada e, por fim, será impedido de ser candidato antes de chegar as próximas eleições. Seu cargo no STF é usado como arma jurídica no jogo político para que ele se mantenha no poder de controle no estado. Para isso, o hoje ministro do Supremo tem relações sigilosas com nomes estratégicos do judiciário no Maranhão. Sempre articulada com câmeras e microfones desligados, as eleições no Maranhão seguem um panorama ritualístico cuja matemática no jogo político tem fórmulas obscuras nas quais o eleitorado pouco é levado em conta. O esquema começa com a manipulação nas pesquisas de intenção de voto em favor daqueles que o sistema quer eleger. A ideia é preparar a cabeça do eleitor para, no final, não ter surpresas que chamem a atenção. Depois, as urnas são organizadas em relação aos resultados pretendidos.
Flávio Dino tem uma inteligência política fora do comum. E não é atoa. Desde os 13 anos de idade, Dino já tinha definição do que ele queria ser na vida adulta. Hoje, ele é exatamente o que desde sua tenra idade sonhou. Sempre leu muito. Graças a isso, nunca precisou estudar de última hora para concurso. Pois ele estuda todos os dias desde criança. Por isso, sempre foi aprovado em todos os concursos que fez. O cara não é qualquer um. Trata-se de um fenômeno intelectual.
Seus autores principais na área politica são Maquiavel e Lenin. Com Maquiavel, Flávio Dino aprendeu que a estratégia primordial para se manter no poder é ser temido e não amado, se não se pode ser ambos. Pois o temor é mais controlável pelo governante, enquanto o amor depende da vontade do povo. Mas o povo é ingrato e volátil. Então, tem que ser controlado.
Outras máximas importantes incluem a necessidade de aparentar virtudes (ser piedoso, justo) sem ser escravo delas, agir com astúcia e, se preciso, ser cruel, pois "o bem deve ser feito aos poucos, mas o mal de uma só vez", para não ser odiado, mas sim respeitado pela força. Bolsonaro está enquadrado exatamente nessa filosofia ideológica orientada por Dino no atual governo de esquerda. E a intenção é levar Bolsonaro à morte. Enquanto isso, os presos do 8 de janeiro são usados conforme a ideologia incorporada por Dino para gerar temor em quem ousa se levantar contra o atual governo. As decisões partem de Alexandre de Moraes, mas a orientação sai da cabeça de Flávio Dino.
Já com Lenin, que encapsula a importância do controle do Estado e da força para a manutenção do poder, Dino aprendeu e executa a ideia de que nenhuma quantidade de liberdade política satisfará as massas famintas. No contexto da importância de manter a disciplina e o controle do partido para governar, Dino entende, como Lenin, que os situacionistas (governantes) não podem reter o poder por dois meses e meio, muito menos por dois anos e meio, sem a mais rigorosa e verdadeiramente férrea disciplina no Partido. Além disso, um pensamento de Lenin que Dino incorporou na sua alma ambicionista e que, nos círculos políticos, enfatiza a necessidade de estar no controle do poder, é que "fora do poder, tudo é ilusão".
Lenin também enfatizou a importância da ação estratégica, descrevendo a arte da política como a capacidade de "encontrar e agarrar com a maior firmeza possível o elo que é menos provável de escapar de nossas mãos, o que é mais importante no dado momento, aquele que mais de que tudo garante ao seu possuidor a posse de toda a cadeia".
É importante notar que o chamado "Decálogo de Lenin", que supostamente lista táticas para a tomada e manutenção do poder, é considerado uma falsificação histórica, sem base nas obras autênticas de Lenin.
Já para Maquiavel, há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis (a massa, a pobreza). Dino pensa exatamente desse jeito e, com base nisso, age política e juridicamente. A massa é controlável pelo poder aquisitivo. O pobre deve ganhar o mínimo possível. Assim, ele trabalha simplesmente pela comida, e não pela sua intelectualidade e desenvolvimento pessoal. Logo, nunca terá força para lutar contra o sistema dominante.
Como Maquiavel, portanto, Flávio Dino entende que os homens têm menos escrúpulos em ofender quem se faz amar do que quem se faz temer, pois o amor é mantido por vínculos de gratidão que se rompem quando deixam de ser necessários, já que os homens são egoístas; mas o temor é mantido pelo medo do castigo, que nunca falha. Isso explica a razão dos presos do 8 de janeiro, como ficou conhecido.
Por isso Dino fez questão de estar no STF. Bolsonaro, por sua vez, está preso, não porque cometeu crime, mas porque, uma vez livre, ameaça tomar o poder. Para a esquerda, é preciso manter-se no poder e controlar tudo. Por isso, a estratégia de Dino é cassar e prender todo e qualquer político da oposição que porventura esteja em ascensão.
Nas eleições de 2026, o Maranhão terá uma política cheia de estratagemas que vão surpreender, mais uma vez, as expectativas. Há muitos paradoxos. Os assuntos do dia-a-dia estão tomando conta das mídias de todos os tipos, inclusive das redes sociais.
A disputa pelo Palácio dos Leões, no Maranhão, está numa esteira não muito simples de equacionar. Já está havendo um festival de prisões de políticos em nível de municípios como, por exemplo, o prefeito de Turilândia, Paulo Curió, e vereadores. O prefeito de Santa Helena, Joãozinho Pavão, também está na mira da Polícia Federal. Essa perseguição é de praxe toda véspera de ano de eleição.
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O triste é que a PF, uma instituição que todo mundo acha séria, vem sendo usada nesse jogo. É simples de entender. Sabe-se que a Polícia Federal só age quando provocada. A questão é saber quem está provocando.
Sempre há um vasculhamento nas ações dos políticos. Aí entram em cena as operações das polícias Federal e estadual atrás de gestores e parlamentares que operam mal o dinheiro de emendas, da saúde, da educação e do próprio orçamento. Muitas dessas figuras públicas receberam visitação dos agentes dessas instituições que, buscando provas, acharam também somas milionárias em dinheiro vivo, escondidas até em lugares mais inusitados.
Os políticos, entre si, sabem disso. Então, perseguem-se uns aos outros. Políticos de esquerda contra políticos de direita e vice versa. É um jogo. Um jogo sempre feito com muita sujeira. E Flávio Dino é um personagem estratégico significativo nesse jogo. Em 2026, portanto, vencerá quem ele proteger com seu apoio silenciosamente obscuro.
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