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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Blog Leitura Livre | COLUNA LEITURA LIVRE | por Battista Soarez

COLUNA LEITURA LIVRE 
Por Battista Soarez
(Jornalista, escritor, sociólogo, teólogo e professor universitário)
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Trump perde para democratas nos EUA
O que muda na relação com o Brasil e como fica a situação dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro

Donald Tump perde nos EUA | Foto: Divulgação.

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A DERROTA DE TRUMP muda tudo na política americana. O partido de Donald Trump sofreu uma derrota histórica nas eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos. Embora o próprio Trump não tenha perdido o cargo de presidente — já que seu mandato vai até janeiro de 2029 e seu nome não estava nas cédulas —, o Partido Republicano perdeu o controle do Congresso para a oposição.

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O cenário da perda política de Trump se divide nos pontos a seguir. Primeiramente, perda do Congresso. O Partido Democrata conquistou a maioria absoluta tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado. Em segundo lugar, derrota nos estados-reduto. Os republicanos foram derrotados em estados tradicionalmente conservadores e considerados redutos do partido, como Texas, Kansas, Carolina do Sul, Ohio e Iowa.

Qual o motivo do desgaste? Analistas e o próprio vice-presidente, JD Vance, apontam que a insatisfação popular com a guerra dos EUA no Irã e o impacto econômico (como a alta no preço dos combustíveis) foram os principais motivos do recuo republicano.

O que acontece com Trump agora? Primeiro, o governo fica travado. Com os democratas controlando o Legislativo a partir de janeiro de 2027, Trump terá imensa dificuldade para aprovar projetos e confirmar indicações para cargos importantes.

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Mas o presidente ainda tem o poder do veto. Trump já sinalizou que pretende usar intensamente o poder de veto presidencial para barrar as propostas da oposição. Por outro lado, a oposição pretende dar mais ênfase em investigações. Promete ampliar a fiscalização sobre os gastos públicos, os negócios de Trump e as decisões da Casa Branca.

Em pronunciamento, Trump minimizou o resultado alegando que os republicanos teriam vencido se ele mesmo estivesse concorrendo na cédula.

Sobre a situação de Flavio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro ainda não há o que se afirmar com certeza. Ou seja, não há indicativos de que Flávio e Eduardo Bolsonaro planejem voltar para o Brasil imediatamente, mesmo com a perda de força política de Donald Trump no Congresso americano.

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A situação atual dos irmãos nos Estados Unidos envolve os seguintes fatores após as eleições de meio de mandato (midterms).

Sobre a permanência deles nos EUA. Flávio Bolsonaro, que viajou para os EUA após o resultado das eleições presidenciais brasileiras, e Eduardo Bolsonaro (que já reside no Texas) permanecem em solo americano. Ambos chegaram a aparecer juntos recentemente em um culto evangélico na Flórida.

Sobre os problemas com a Justiça brasileira. No Brasil, os parlamentares enfrentam ordens judiciais e investigações em andamento. Flávio Bolsonaro teve, inclusive, uma ordem de retenção de passaporte decretada antes de sua ida aos EUA, o que torna o retorno voluntário deles ao Brasil improvável no momento.

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Como a derrota de Trump afeta os irmãos? Embora não retornem de imediato, analistas políticos apontam que a vitória dos democratas no Congresso dos EUA complica significativamente a situação jurídica e política deles no exterior.

Risco de investigação na Casa Branca. Com o controle das duas casas legislativas pelos democratas, congressistas americanos articulam pedidos para investigar se o governo Trump usou recursos federais de forma irregular para dar suporte à saída de Flávio Bolsonaro do Brasil rumo a Miami.

Dificuldade para obtenção de vistos. Medidas administrativas de longo prazo, como a concessão de um Green Card permanente ou extensão de permanência por vias diplomáticas especiais, sofrerão maior fiscalização. Trump terá menos capital político para intervir diretamente em favor deles frente à pressão do novo Congresso.

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Perda de canais institucionais. Os irmãos Bolsonaro costumavam frequentar o Capitólio com facilidade por meio de interlocutores da ala republicana radical. Com a mudança de comando, eles perdem o livre trânsito político e as portas de entrada nas comissões do Legislativo americano.

Agora, o futuro deles é incerto. O provável é que eles permaneçam nos EUA porque certamente os democratas não vão querer ter problemas num futuro com uma possível vitória no futuro da direita no Brasil.

O cenário de investigações e processos envolvendo a família Bolsonaro no Brasil é interpretado de maneiras opostas por aliados e opositores.

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A perspectiva da família Bolsonaro e de seus aliados emplaca uma visão de perseguição. Para o ex-presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e parlamentares aliados, as ações em andamento configuram uma perseguição política e jurídica orquestrada por adversários com o objetivo de minar sua força eleitoral e inviabilizar a oposição.

Os principais argumentos dessa vertente podem ser vistos de varias maneiras. Uso político das instituições. Defensores da família Bolsonaro apontam que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e partidos de esquerda utilizariam o aparato estatal e canais de denúncia para focar excessivamente em apurações contra o clã.

Ativismo judicial. Críticos das investigações afirmam que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agiriam com parcialidade e cometeriam excessos processuais — como quebras de sigilo, mandados de busca e apreensão de passaportes — motivados por disputas ideológicas. E isto parece estar claro.

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A perspectiva das instituições e do governo federal perpassa por uma visão de legalidade.

Por outro lado, o governo do presidente Lula, integrantes do Poder Judiciário e órgãos de controle afirmam que as investigações seguem estritamente o cumprimento da lei e o devido processo legal, sem interferência direta do Executivo.

A justificativa institucional baseia-se em autonomia da Polícia Federal e do Ministério Público. A instauração de inquéritos decorre de indícios materiais encontrados em relatórios técnicos de inteligência financeira e quebras de sigilo autorizadas pela Justiça.

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Fatos investigados. As autoridades argumentam que as apurações respondem a suspeitas concretas e diversas que surgiram ao longo dos anos, tais como o caso das "rachadinhas" (desvio de salários de assessores) em gabinetes legislativos; inquéritos no STF sobre o compartilhamento de desinformação (fakenews) e atos contra a ordem democrática; movimentações financeiras atípicas e suspeitas de lavagem de dinheiro, além de possíveis crimes cometidos durante a gestão na Presidência.

Oficialmente, o Palácio do Planalto adota uma postura de distanciamento, declarando que o andamento das denúncias e processos é de responsabilidade exclusiva do Poder Judiciário e da Justiça comum. Mas, por outro lado, está evidente que o governo de Lula segue passos combinados com o STF para que a Direita não volte ao poder.  E essa é uma tendência da esquerda no mundo todo.

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Um comentário:

  1. Boa noite! Satisfação! muito importante essa matéria, esclarecedora para o leitor.Parabéns pela matéria.

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