O amor esfriar não significa apenas a falta de sentimento, mas também a ausência de dedicação, respeito e sacrifício mútuo. O desprezo pelo outro e a ausência de importância pela pessoa do outro são um pecado grave, e tão grave que Jesus afirmou que amar o próximo como a si mesmo está no mesmo nível de valor e importância que o amar a Deus sobre todas as coisas. Claro, só se pode demonstrar o amor a Deus Pai, amando o próximo nosso irmão. Se eu digo que amo a Deus, mas menosprezo o outro meu irmão, estou sendo simplesmente um mentiroso. E nenhum mentiroso, diz a Bíblia Sagrada, tem parte no Reino dos céus.
Nos últimos tempos, tenho percebido que esse pecado mortal está dentro da igreja. Há 42 anos, quando eu me converti, tinha, por exemplo, alguns amigos os quais eu aprendi a amá-los e ter muito apreço por eles. Meu sentimento por eles era de família, da mesma forma como o Senhor nos ensinou. Hoje, estranhamente, percebo que alguns deles me evitam quando os procuro para tomar um café, vivenciar momentos de comunhão e, assim, retroalimentar a confraternidade e as relações de amizade. Outros, até mesmo pastores, se fazem omissos e rejeitam minha contribuição para o reino de Deus, naquilo que o Senhor me chamou para fazer a sua obra, que é ensinar, treinar e capacitar pessoas para a obra missionária e evangelística. Os que não ficam caladões, inventam desculpas claramente rejeitativas. São frios, indiferentes, soberbos e esquisitos.
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Embora o amor de muitos possa esfriar, isso não significa que todos irão se apagar. Aquele que perseverar até o fim será salvo, disse o Senhor Jesus. Isto quer dizer que têm crentes que fazem tudo "certinho", mas se perderão exatamente nesse quesito. Igreja corpo de Cristo é relacionamento. Se não há relacionamento, não há espiritualidade verdadeira. E, portanto, a salvação desse crente estará na incerteza.
Mas quero ir mais a fundo no que o versículo nos ensina. Vejamos que a multiplicação da iniquidade corrompe os relacionamentos e o amor genuíno entre as pessoas. A busca por santidade em nossa vida é a única forma de termos relacionamentos que refletem o amor de Deus.
Cristo disse que seríamos conhecidos pelo amor. Ou seja, o que distingue um verdadeiro discípulo de Cristo é o amor, as relações fraternais. Mas parece que isso não funciona na igreja atual. A gente estuda a Bíblia e não consegue ver os cristãos praticando o que está escrito.
O texto de Mateus 24.12 é um alerta direto de Jesus sobre os tempos de desordem que antecederão o fim. A multiplicação da iniquidade — pecados como egoísmo, traição, desrespeito, menosprezo e falta de compromisso com o próximo — corrompe os relacionamentos e o amor genuíno entre as pessoas, quebrando o princípio bíblico do amor e levando muitos cristãos para a perdição.
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Jesus predisse que o amor de muitos esfriaria como parte de Sua resposta à pergunta dos discípulos: "Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo". Em Mateus 24, no Sermão do Monte, Jesus descreve os sinais do fim dos tempos que precederão a Sua segunda vinda. Ele diz que haverá falsos cristos (Mateus 24.5), guerras (Mateus 24.6), contendas e desastres naturais (Mateus 24.7).
Por conseguinte, Jesus predisse, portanto, que o amor de muitos esfriaria como parte de Sua resposta à pergunta dos discípulos: "Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo". Jesus também alertou sobre a perseguição dos crentes, alguns dos quais provariam ser falsos discípulos que se voltariam uns contra os outros (Mateus 24.9–10). “E”, disse Jesus, “por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” (Mateus 24.12). Quer seja por causa da influência ilusória dos falsos mestres, da perseguição ou do medo da morte, o zelo de muitos falsos mestres diminuirá. Seu amor para com Deus e para com a igreja "esfriará". Os verdadeiros cristãos, mesmo aqueles cuja fé é fraca, perseverarão até o fim (Mateus 24.13). Deles é o amor verdadeiro, que é fruto do Espírito Santo (Gálatas 5.22). E esse amor não pode falhar (1 Coríntios 13.7). O amor verdadeiro não pode esfriar porque é sustentado por Cristo, o qual é capaz de nos impedir de cair (Judas 1.24).
Para aqueles sem o Espírito, no entanto, o amor que têm ficará cada vez mais frio nos últimos dias. Paulo expande essa ideia em 2 Timóteo (3.1–4) quando descreve os últimos dias. O amor que essas pessoas têm não é um amor caloroso e vivo por Deus, Sua verdade e Seu povo. Em vez disso, é um amor egótico, a si mesmo e ao dinheiro (versículo 2). Paulo descreve aqueles cujo amor por Deus, Cristo e os santos é apenas fingido, não é realidade. Eles fazem tudo o que fazem de maneira religiosa e motivados por amor próprio e fins egoístas. Seu objetivo é obter glória e aplausos dos homens ou usar a religião para ganhar algo para si. Eles não fazem nada para a glória de Deus, a honra de Cristo ou o bem dos outros.
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Como podemos ter certeza de que o amor que temos por Cristo nunca esfriará? Começamos nos examinando para termos certeza de que estamos realmente na fé (2 Coríntios 13.5). Se realmente pertencemos a Cristo, podemos ter certeza de que possuímos o amor do Espírito que nunca esfria. Então, devemos fazer todos os esforços para aumentar o nosso amor: “E isto peço em oração: que o vosso amor aumente mais e mais no pleno conhecimento e em todo o discernimento, para que aproveis as coisas excelentes, a fim de que sejais sinceros, e sem ofensa até o dia de Cristo. Cheios do fruto de justiça, que vem por meio de Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus” (Filipenses 1.9-11).
Quando a Bíblia diz que, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará, isso significa que o esfriamento do amor está diretamente relacionado ao crescimento do pecado em suas mais variadas formas.
Foi o Senhor Jesus quem falou que o amor de muitos se esfriará com o aumento da iniquidade (Mateus 24.12). Ele fez essa exortação durante seu sermão profético que tratou de forma geral acerca dos eventos que haveriam de ocorrer até o fim dos tempos.
Nesse contexto, Jesus colocou o esfriamento do amor em decorrência da multiplicação da iniquidade entre os sinais que caracterizam um período que Ele chamou de “o princípio das dores”. Os sinais citados por Jesus foram: surgimento de falsos profetas e falsos cristos. Guerras e rumores de guerras em conflitos internacionais. Miséria e fome. Catástrofes naturais. Ferozes perseguições contra a Igreja. Esfriamento do amor por causa da multiplicação da iniquidade. E a expansão mundial da pregação do Evangelho (Mateus 24.4-14).
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Jesus disse que após essas coisas o fim virá (Mateus 24.14). Isso significa que esses sinais servem para apontar para a aproximação do fim dos tempos. Isto porque o principio das dores é o período que se estende desde Cristo até os nossos dias, e precede imediatamente a grande tribulação (Mateus 24.15-28).
Hoje podemos dizer que, por se multiplicar a iniquidade, o amor esfriou. A iniquidade é a transgressão da Lei de Deus. É a rebelião e a impureza do homem contra Deus. Aqueles que têm uma vida caracterizada pela prática da iniquidade não têm nenhum relacionamento com Cristo. Ainda que reivindiquem profetizar e fazer prodígios em Seu nome (Mateus 7.22,23; cf. Mateus 13.41-43).
O comportamento iníquo está presente na história da humanidade desde a queda de Adão. Mas ele não está estático. Pelo contrário, vem crescendo e se intensificando. A multiplicação da iniquidade pode ser facilmente percebida por todos os lados. E, nas palavras de Jesus, isto é um sinal de que o fim se aproxima.
Saiba quais são os sinais do fim dos tempos. Cada vez mais, os valores estão sendo invertidos. Cada vez mais, a moralidade está sendo considerada inadequada. Cada vez mais, a mentira tem se tornado verdade nos ouvidos dos homens.
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O pecado já é visto como o novo padrão a ser exaltado e seguido, enquanto que a santidade já é identificada como algo a ser reprovado e combatido. A iniquidade está se multiplicando. Mas chegará o dia em que Deus dará um basta e responderá à medida do pecado da humanidade com o derramamento de Sua santa ira sem mais mistura de misericórdia.
O amor de muitos se esfriará. Inversamente proporcional à multiplicação da iniquidade está o esfriamento do amor. Então, quanto mais iniquidade, menos amor. Alguns comentaristas preferem interpretar essa declaração de que “por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará” como sendo um aviso de algo que aconteceria dentro da Igreja visível. Assim, o foco estaria justamente na questão da apostasia e na crise entre a cristandade.
Mas todo o contexto do sermão do qual essa declaração de Jesus faz parte parece indicar algo mais abrangente. John Gill diz que pode muito bem estar incluída nessa declaração a maldade dos perseguidores da Igreja. Bem como o ódio e a traição dos apóstatas. Também as consequências dos erros e heresias dos falsos mestres. Ou ainda a maldade que caracteriza as vidas e as conversas de alguns que se dizem cristãos.
Então, o resultado de tudo isso é o esfriamento do amor de muitos, tanto para com Deus quanto para com o próximo. E o alerta de Jesus é sobre algo muito grave: “o amor de muitos esfriará”. Essa frase também pode ser literalmente traduzida como: “o amor se esfriará de quase todos”. Mas aqui há algo importante: definitivamente o amor não se esfriará de todos.
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Isso significa que, apesar de a iniquidade se multiplicar e o amor de muitos se esfriar, há ainda aqueles que em cuja vida arde o genuíno amor. A chama do amor ao Senhor, ao Evangelho e ao próximo continua queimando na vida dessas pessoas. Estes não são meros cristãos professos comprometidos com o mundo, mas são cristãos que verdadeiramente experimentaram uma conversão genuína a Cristo.
Sim, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará. Mas há os relativamente poucos que não são propagandistas do pecado e cujo amor não se esfria. Os poucos que não se conformam com o padrão deste mundo. Estes são também aqueles que, pelo poder de Deus, perseveram até o fim, até que possam desfrutar da salvação em toda sua plenitude (Mateus 24.13; cf. 1 Coríntios 1.l-8). Finalmente, não permita que esse pecado mortal, a frieza do amor, atinja você e o conduza para a perdição eterna.