Translate

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

COLUNA LEITURA LIVRE | por Battista Soarez

COLUNA LEITURA LIVRE 
Por Battista Soarez
(Jornalista, escritor, sociólogo, teólogo e professor universitário)
________________________ 


A política de 2026 e os destinos do Brasil e do Maranhão
Como a sociedade é "tangida" e usada nas manobras eleitorais e de governabilidade.

As eleições de 2026 exigem articulação estratégica e integralidade na conjuntura política | Foto: Divulgação.

________________________
HOJE LI UM ARTIGO ESCRITO por um blogueiro, cujo conteúdo defende a senadora Eliziane Gama, com uma falta de lógica sem explicação. Pelo que li, o nobre autor do artigo não entende muito de política nem de Bíblia, já que ele diz, no seu texto, que a senadora deve ser respeitada simplesmente pelo fato de ela ser autoridade, já que, segundo ele, a Bíblia menciona que toda autoridade é constituída por Deus (Romanos 13.1-7). Ele deixou de considerar, no entanto, que a frase bíblica indica que o princípio da autoridade governamental é instituído por Deus para manter a ordem e promover o bem, a justiça e a paz social. E não para gerar conformismo situacional e aceitação de indivíduos perversos e injustos governando sobre o povo.

PUBLICIDADE 

Talvez, em relação ao blogueiro defensor de Eliziane Gama, haja alguma barganha midiática — o que, por certo, é normal, uma vez que os comunicadores estudam e trabalham para ganhar dinheiro — que o leva a criar um discurso midiático controverso em favor da senadora, obscurecendo os fatos reais que justificam sua queda na preferência dos eleitores, inclusive perante a igreja. Enquanto isso, a deputada Mical Damasceno (PSD) desponta para uma vaga no Senado Federal. Tudo indica que ela será eleita.

Preciso explicar que, embora o texto bíblico citado pelo referido blogueiro sugira obediência e respeito às leis e às autoridades (e não existe autoridade sem lei), a interpretação não se pode aplicar em relação a governos injustos com suas ações maléficas. Aqui, a ideia principal vem das cartas de Paulo e Pedro, que instruem a sujeição às autoridades, pois quem se rebela contra a autoridade, rebela-se contra a ordem estabelecida por Deus. As autoridades, propositalmente, são vistas como "ministros de Deus" para promover o bem, a justiça social, punir o mal e manter a ordem social. O problema é que a senadora Eliziane Gama se rebelou contra os princípios pregados pela igreja a que ela pertence.

Portanto, nem todos os governos ou governantes são divinamente escolhidos individualmente, mas a existência da estrutura de poder é permitida. A obediência não é cega se a autoridade ordenar desobediência a Deus. Líderes piedosos devem exercer o poder com responsabilidade, não de forma arbitrária. Em resumo, a autoridade é constituída para garantir o bom funcionamento da sociedade, exigindo respeito à posição ocupada, independentemente de concordância com o governante. A autoridade, portanto, é o instituto legal (inclusive as leis) da administração pública e não a pessoa do indivíduo que está na cadeira do poder.

PUBLICIDADE 

Diante disso, quero ventilar que o ano de 2026 será, mais uma vez, decisivo para os rumos políticos e institucionais do Brasil. E o mesmo princípio é válido para o Maranhão. Mas precisa que as articulações sejam bem costuradas. Com a realização de eleições gerais, o país escolherá presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Assim, o calendário impõe uma dinâmica própria ao Legislativo e ao Executivo, marcada por uma polarização crescente, rearranjos políticos e agendas legislativas intermitentes, alternando períodos de baixa produtividade com semanas de esforço concentrado. No geral, a esquerda deverá combinar estratégias políticas, financeiras e judiciárias no âmbito dos tribunais eleitorais para garantir vantagens pretendidas. As pesquisas, na sua maioria compradas, já estão adiantando os resultados das eleições, para carimbar na cabeça dos eleitores a ideia das vantagens de quem o sistema quer eleger.

No centro da disputa estará a eleição presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece hoje (com 39,8%) como favorito à reeleição, ancorado na força de sua presença nacional e na retomada recente de sua popularidade, segundo diversos institutos de pesquisa. A oposição, por sua vez, segue fragmentada. A figura do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda mobiliza um eleitorado expressivo, mas sua inelegibilidade dificulta a organização de uma candidatura unificadora no campo conservador e sua indicação para que Flávio Bolsonaro (PL), com 33,1%, seja candidato ainda não é unanimidade na direita. Depois de Lula e Flávio, vêm outros nomes de baixa expressividade. Sem muita importância. A tendência, no cenário geral, é de que a eleição de 2026 mantenha o traçado central da política brasileira nos últimos anos, isto é, a polarização como estrutura dominante, mesmo que sob novas roupagens, em uma disputa aberta para ambos os lados.

Por conseguinte, outro ponto de atenção será a disputa por vagas no Senado Federal. Dois terços da Casa estarão em jogo, e o pleito ganhará destaque em razão do movimento do governo de lançar diversos ministros como candidatos. Ao menos 20 nomes da Esplanada são cotados para disputar cargos eletivos, com foco especial nas vagas ao Senado. A estratégia busca ampliar a base de apoio no Congresso Nacional a partir de 2027, em um movimento que também mobiliza a oposição, que mira o Senado como espaço institucional prioritário para conter ou redirecionar agendas do Executivo e do Judiciário.

PUBLICIDADE 

A Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas estaduais também passarão por renovação. No Congresso Nacional, espera-se que 2026 seja um ano de funcionamento escalonado. A agenda legislativa deverá ser organizada em torno de semanas de esforço concentrado, voltadas à votação de matérias previamente articuladas pelas lideranças partidárias. Nesse cenário, as pautas com maior consenso político tendem a avançar, enquanto temas mais sensíveis deverão ser postergados ou negociados em ritmo mais lento.

Entre os temas com maior probabilidade de destaque estão a PEC da segurança pública, o projeto de lei que trata do combate a facções criminosas, a regulação da inteligência artificial (com certa cautela) e a proposta de um regime tributário diferenciado para data centers, tema que mobiliza setores de infraestrutura digital e economia de inovação. No Senado, poderá entrar em pauta a sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, cujo processo ainda depende de articulação política para avançar, após resistência inicial à sua indicação por parte de lideranças da Casa.

O ambiente político de 2026 será, portanto, marcado por uma combinação de disputa intensa e negociações estratégicas. De um lado, o Executivo buscará preservar capital político e ampliar sua base legislativa. De outro, o Congresso operará com foco no calendário eleitoral, o que impõe desafios à aprovação de projetos estruturantes. Para o setor produtivo, 2026 será um ano de atenção redobrada. Embora os ciclos eleitorais imponham incertezas, também abrem espaço para reposicionamentos e oportunidades de médio prazo.

PUBLICIDADE 

Reunida nesta quinta-feira, 29, a Comissão Executiva Nacional do PT aprovou uma resolução em que define o ano de 2026 como decisivo para o futuro do país. “É o ano para reafirmar que o Brasil escolhe a democracia, a justiça social, a soberania nacional e o futuro. E essa escolha passa, necessariamente, pela reeleição do presidente Lula, pela eleição de muitos(as) governadores(as) e de uma maioria parlamentar na Câmara e no Senado comprometida com esse projeto e pela derrota definitiva do bolsonarismo como projeto de poder”, diz trecho do documento.

Os dirigentes partidários afirmam que a eleição presidencial deste ano será histórica e que a recondução de Lula é estratégia para derrotar o bolsonarismo, “vertente brasileira do fascismo”, que defende projetos antinacionais e antipovo. Em contrapartida, a reeleição de Lula é o caminho “para aprofundar as transformações iniciadas no Brasil, voltadas à superação das desigualdades e a um novo projeto de desenvolvimento nacional, soberano, sustentável e inclusivo”. “Nossa tarefa não é apenas eleitoral, mas política, social e organizativa”, concluiu a Comissão Executiva Nacional.

Além de alertar para a conexão da extrema direita brasileira a uma “rede internacional que combina desinformação em larga escala, manipulação algorítmica, mobilização pelo medo, ataques às instituições democráticas e financiamento transnacional”, o partido também aponta para a necessidade de manter o país “no rumo do crescimento com distribuição de renda, justiça social e responsabilidade fiscal” alcançados com Lula. A Executiva Nacional destaca, ainda, que sob Lula o Brasil retomou “protagonismo internacional”.

Se no cenário nacional corremos o risco de continuar com Lula ou eleger Flávio Bolsonaro, no Maranhão a disputa parece ir para o segundo turno com Eduardo Braide e Lahésio Bonfim. Lahésio parece ter mais possibilidade, já que Braide está assinando acordo sujo com a esquerda que parece empurrá-lo para baixo. A esquerda, não fosse o eleitorado pobre que sobrevive a contento de migalhas sociais e se conforma com isso, estaria sem chances. É esperar para ver.

________________________

PUBLICIDADE 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Utilize sua conta no Google (orkut, gmail) para postar comentários, ou a opção anônimo.