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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

COLUNA LEITURA LIVRE | por Battista Soarez

COLUNA LEITURA LIVRE 
Por Battista Soarez
(Jornalista, escritor, sociólogo, teólogo e professor universitário)

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 Pastores e políticos no Brasil

Uma relação duvidosa em que a fé vira militância por dinheiro e cargos

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A RELAÇÃO ENTRE PASTORES E POLÍTICOS no Brasil é um fenômeno complexo e crescente, marcado pela influência de líderes evangélicos no voto de seus fiéis e pelo aumento de candidatos religiosos, com destaque para a bancada evangélica. Essa interseção varia entre a busca por representação de pautas morais e o alinhamento partidário, gerando debates sobre o uso da fé como ferramenta política.

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No que concerne a influência e polarização, pastores atuam como influenciadores políticos, frequentemente usando cultos para recomendar candidatos, o que tem gerado, por vezes, um forte alinhamento com a direita e críticas ao "patrulhamento" partidário. Em troca, cargos e dinheiro. Aliás, os apoios políticos nunca são pela causa pública, e sim por interesses particulares.

A Bancada Evangélica tem um papel pouco esclarecido que não se sabe como funciona ao certo. A presença de pastores e membros de igrejas (Assembleia de Deus, Universal, etc.) no Legislativo (vereadores, deputados) consolidou um grupo de pressão relevante, focado em pautas conservadoras.

Há visões divergentes nesse cenário. Enquanto alguns líderes defendem o envolvimento para defender valores cristãos na esfera pública (função profética), outros argumentam que a política partidária contamina a missão espiritual, criando "currais eleitorais".

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O voto evangélico é algo diferenciado, mas nem tanto consciente e pouco unânime. Entrementes, estudos mostram que a influência é maior em igrejas com lideranças carismáticas, onde os fiéis tendem a seguir orientações de voto, especialmente em contextos locais.

Não se podem negar os conflitos. A mistura de fé e política gerou tensões, com relatos de perseguição a fiéis que não apoiam os candidatos dos líderes e críticas à tentativa de monopolizar o eleitorado evangélico. 

Em suma, o cenário atual mostra uma disputa sobre se a igreja deve ser um espaço estritamente espiritual ou um agente de ação política. O certo é que a maioria dos crentes é alienada. Vota cegamente ou por dinheiro.

Considerando esses pontos, pergunta-se se o eleitor crente é capaz de explorar mais sobre a legislação brasileira em relação a igrejas na política ou a influência dos evangélicos nas eleições. Face a isso, poucos evangélicos são esclarecidos, mesmo em se tratando de pastores. A barganha por dinheiro e cargos está sempre na mesa da relação entre pastores e políticos. Enquanto isso, a relação com Deus esfria e a igreja sofre duras consequências espirituais.

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