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sexta-feira, 27 de março de 2026

COLUNA LEITURA LIVRE | por Battista Soarez

COLUNA LEITURA LIVRE
Por Battista Soarez
(Jornalista, escritor, sociólogo, teólogo e professor universitário)
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Cultura e sociedade na igreja evangélica brasileira
Caminhos e descaminhos no contexto da comtemporaneidade.

Grande parte dos cristãos é bitolada e expressa uma fé de pouco conhecimento | Foto: Divulgação 

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JÁ OUVI ALGUÉM DIZER que a igreja evangélica brasileira exerce forte influência na sociedade e na cultura, impactando o comportamento de consumo, a política e a produção artística, buscando, enfim, integrar os valores bíblicos às expressões culturais modernas. Não consigo ver isso. Esse engajamento deveria envolver o uso de programação cultural para diálogo e a necessidade de adaptação, priorizando a formação de discípulos, gerando um pensamento significante no âmbito social e a produção de uma cultura de impacto social. Mas, a bem da verdade, não é bem isso que acontece.

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O Senhor Jesus, certamente, faria isso se fisicamente vivesse entre nós nos dias de hoje. É claro que Ele está, de alguma forma, trabalhando em nós e entre nós (Mateus 28.20b), mas são poucos os que dão lugar para a operacionalidade do Espírito em sua vida espiritual, intelectual e cultural para transformação da sociedade. Temos uma igreja que não lê, não participa e não busca conhecimento. A grande maioria dos pastores prepara mal seus sermões e as escolas bíblicas dominicais estão vazias. Que lástima! Essa igreja nunca cumpriu, de fato, a ordem da grande comissão mundial dada por Jesus.

A relação entre igreja e cultura é muito pobre e simplória. Não há produção como nos tempos dos reformadores como João Wesley, Martinho Lutero, João Calvino e outros que mudaram a história.

Não há integração e transformação, por exemplo. A visão atual não busca superar a dicotomia "sagrado x secular", no que se pode equacionar compreendendo a cultura como uma esfera a ser cultivada sob autoridade divina.

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A igreja não tem uma exegese de cultura bíblica e teológica que possa dialogar com a sabedoria do mundo que cada vez mais se intelectualiza e se abastece de grandes desafios. Há uma grande necessidade de analisar a cultura à luz do evangelho para entender a relação entre fé e as coisas ao nosso redor.

Deveríamos, então, laborar propositivamente um encontro essencial. A cultura (crenças, artes, valores) é um campo de atuação para a mensagem do evangelho de Jesus.

A igreja pode gerar impactos da cultura evangélica na sociedade e provocar mudança de paradigma. Incentivo a uma mudança do "consumismo" para uma "mentalidade de produtor", focando no impacto social e na maturidade emocional. O neopentecostalismo, por exemplo, tem sido um desastre na sociedade evangélica. A gente vê mais manifestações demoníacas do que operação do Espírito Santo de Deus. Há uma ação maligna dentro da igreja atual camuflada de espiritualidade. Isso mesmo: o satanismo está dentro da igreja e poucos percebem isso.

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No que concerne a ação social e a cultura, existe uma utilização de atividades lúdicas e culturais (música, arte) nas igrejas locais para aproximação com o público em geral. E qual é a relevância política disso? O crescimento evangélico tem gerado mudanças estruturais na política e no comportamento social no Brasil. Mas qual é a verdadeira contribuição que isso tem dado na mudança de pensamento e, consequentemente, na construção de uma sociedade mais justa e mais pacificadora?

O reconhecimento oficial mira instituições como a "Semana da Cultura Evangélica" (Lei 4714/2016) que celebram a contribuição histórica e a diversidade cultural. Mas qual é o efeito disso em meio a tantos problemas sociais?

Mudanças culturais necessárias (perspectiva teológica). A igreja deve pregar a diferença entre Reino de Deus e império humano. Deve ter foco na promoção do Reino de Deus em vez de "impérios" pessoais de líderes.

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Deve focar na formação de verdadeiros discípulos de Jesus. Deve dar prioridade em formar fiéis comprometidos ("mega influência") em detrimento do simples aumento de membros ("mega igreja").

Pra que pregar prosperidade? A prosperidade deve ser vista como meio de financiar os propósitos divinos e o impacto social. Não bancar patrimônio de grandes líderes.

O desafio contínuo é equilibrar o engajamento cultural com os valores bíblicos, buscando uma postura que influencie positivamente sem comprometer os fundamentos da fé.

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