No plano humano, temos na história da literatura uma referência clássica ao Soneto XIII (também conhecido como "Ouvir Estrelas") da obra Via Láctea, de Olavo Bilac. Uma demonstração de que a espiritualidade pode vir em forma de arte.
O poema é um dos marcos do Parnasianismo brasileiro e aborda a sensibilidade necessária para "ouvir" e entender o universo através do amor. O amor é o mais significativo pilar da busca pela espiritualidade. O poema de Bilac diz:
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo / Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, / Que, para ouvi-las, muita vez desperto / E abro as janelas, pálido de espanto...
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O significado disto passa pelo "eu lírico" defendendo que a capacidade de "ouvir estrelas" — ou seja, compreender a beleza e os mistérios do mundo, inclusive do mundo sensível à espiritualidade — não é loucura, mas um privilégio de quem ama. Davi sabia amar a Deus e tinha os ouvidos abertos para o Senhor. Ele vivia o tempo todo sob proteção divina. Logo, o Deus que inspirou a poética de Davi é o mesmo que inspirou a poética de Bilac. Deus não é um Deus exclusivo de um homem. Deus é o Deus intraplanetário, presente em cada parte do Universo. Ele é o Senhor das grandes e pequenas coisas.
Voltando ao exemplo da sensibilidade da espiritualidade humana, o soneto de Bilac termina com a célebre afirmação: "Direis agora: 'Tresloucado amigo! / Que conversas com elas? Que sentido / Tem o que dizem, quando estão contigo?' / E eu vos direi: 'Amai para entendê-las! / Pois só quem ama tem ouvido capaz / De ouvir e de entender estrelas'".
Dizem que a arte, inclusive a arte poética, é pura espiritualidade. Decerto. No contexto cultural, é comum encontrar esse poema de Bilac associado a músicas e interpretações de artistas como Belchior e em homenagens à poesia brasileira.
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O que aprendemos com isso no contexto da literatura bíblica? Davi nos ensina que relacionamento com Deus passa pela sensibilidade espiritual que pode vir em forma de poesia e que o coração humano é o laboratório onde o Senhor trabalha a construção ou a reconstrução do homem enquanto ser espiritual, social e relacional. Isso pode acontecer em forma de arte. Cantada ou escrita. Música, poesia, pintura ou romance. Cada dom tem a sua expressividade propriamente dita.
Davi nos ensina, então, que a sensibilidade espiritual é a capacidade de perceber, discernir e responder às realidades espirituais e à direção divina. Isto nós aprendemos nos salmos construídos por ele. Envolve discernimento aguçado sobre ambientes e pessoas, sendo considerada um dom para compreender o mundo invisível. Logo, a sensibilidade espiritual pode ser cultivada através de oração, meditação e piedade, exigindo equilíbrio para não gerar confusão.
Assim, como vemos, os principais aspectos da sensibilidade espiritual são pontuáveis.
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Primeiramente, temos o discernimento. O discernimento é a alta capacidade de perceber o ambiente, sentindo o "peso espiritual" de lugares ou pessoas. Depois, temos conexão divina. Entendida como uma ferramenta divina, permitindo ouvir a voz do Espírito e agir conforme Seus propósitos. Então vivenciamos sinais e sintomas. E aí pode incluir intuição aguçada, sonhos vívidos ou percepção de odores, muitas vezes acompanhando o que é descrito como dons.
Dons são dádivas ou habilidades especiais concedidas gratuitamente pelo Espírito Santo aos cristãos, não por merecimento, mas para o serviço ou a laboridade divina na terra, visando a edificação da igreja e a glorificação de Deus. Os dons diferenciam-se de talentos naturais (genéticos) por serem capacitações espirituais sobrenaturais, como profecia, ensino, cura e sabedoria, fundamentadas no Novo Testamento. E aí entram a música e a poética como peças espirituais de alto valor sobrenatural. Se projetado com absoluta santificação e dedicação ao Senhor, o portador de dons se torna brasa viva nas mãos de Deus.
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Mas há riscos de sobrecarga. Indivíduos com alta sensibilidade espiritual podem sofrer de exaustão, estresse ou angústia ao absorver energias cósmicas negativas, exigindo práticas de proteção e autoconhecimento. Veja que há dois mundos: o mundo de energias cósmicas negativas, e o mundo de energias cósmicas positivas. O bem e o mal. O bem é o reino de Deus. O mal é o reino de Satanás.
Como desenvolver e preservar a operacionalidade dos dons (dicas práticas). Com pausas e relaxamento. Reservar momentos para oração, meditação ou silêncio para acalmar a mente e o corpo é necessário. Filtro de conteúdo e higienização mental. Reduzir o consumo de notícias e informações que geram ansiedade e sobrecarga energética. Momentos de intimidade com Deus. Viver momentos a sós com Ele, para uma conversa íntima e honesta entre Pai e filho, Criador e criatura.
É preciso registrar sonhos e intuições para identificar padrões de comportamentos espirituais. Definição de limites. Aprender a dizer "não" para proteger sua energia. Estudo e piedade. Ler textos sagrados, frequentar locais de adoração e manter práticas de fé como orações diárias. A falta de compreensão sobre esse dom pode torná-lo um fardo, mas, quando bem guiada, a sensibilidade espiritual proporciona crescimento, paz e maior conexão com o sagrado.
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A poesia de Davi, majoritariamente encontrada nos Salmos bíblicos, é marcada por intensa expressão emocional, confiança em Deus, confissão de pecados e louvor. Suas composições refletem sua vida como pastor e rei, abordando temas como refúgio no perigo, gratidão e a beleza da criação.
Podemos mencionar, aqui, alguns exemplos notáveis da poesia de Davi nos Salmos por ele escritos. Refúgio e oração (Salmo 142). "Clamo a ti, Senhor, e digo: Tu és o meu refúgio; pois estou muito abatido; pois são mais fortes do que eu."
Confiança e guia (Salmo 32.8). "O Senhor Deus me disse: 'Eu lhe ensinarei o caminho por onde você deve ir; eu vou guiá-lo e orientá-lo.'". Sobre a criação (Salmo 8), Davi contrasta a pequenez humana com a grandeza da criação de Deus. E move o coração de Deus para si.
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Davi tinha muita gratidão pelo seu Senhor (Salmo 145.1). "Eu te exaltarei, ó Deus, rei meu, e bendirei o teu nome pelos séculos dos séculos e para sempre."
Em relação às características da poesia de Davi, podemos apontar a linguagem de deserto. Ele utiliza metáforas do ambiente árido e pastoril. Usa também acrósticos, em que alguns salmos, como o 34, utilizam letras sucessivas do alfabeto hebraico para cada versículo. A intimidade expressa uma relação pessoal e direta com Deus, alternando entre sofrimento e exaltação. Davi, finalmente, tinha uma sensibilidade espiritual definitivamente afinada com Deus. Ele estava o tempo todo com seus ouvidos ligados ao céu, ouvindo e escrevendo as poéticas sopradas pelo seu Espírito. Deus, finalmente, fala com o homem da forma que Ele quer.
A intimidade com Deus, finalmente, é um relacionamento profundo, constante e pessoal com Ele, construído através de oração sincera, leitura da Palavra e obediência, transformando a vida espiritual e revelando o caráter divino. Exige entrega diária e busca no "lugar secreto", proporcionando paz, direção e fortalecimento, superando o superficial.
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Mas como podemos cultivar a intimidade com Deus? Aprendemos com Davi a oração no secreto. Dedicar tempo a sós com Deus, longe de distrações, para derramar a alma e ouvir Sua voz. Leitura da palavra, isto é, meditar nas Escrituras diariamente, pois a Bíblia é o meio de conhecer a vontade e o caráter de Deus. Viver em constância meditação e entrega. A intimidade não é esporádica. Ela exige um relacionamento constante e submissão à vontade do Senhor. Requer confissão e purificação. Devemos limpar o coração de pecados confessando nossas fraquezas, o que permite maior aproximação, conforme Tiago (4.8). Devemos, assim, viver em permanente adoração e louvor. Isto nos permite cultivar uma vida de adoração que reconhece a presença de Deus acima de tudo.
Os benefícios da intimidade com Deus proporcina em nós conhecimento profundo, em que podemos entender o coração de dEle e seus planos (Jeremias 29.11). Isto nos orienta para uma perfeita paz e pleno consolo. Também nos leva a encontrar refúgio e alívio nas dificuldades, sentindo o amor de Deus na profundidade da nossa alma.
Uma vida de intimidade com Deus nos proporciona poder e direção, nos levando a receber autoridade espiritual e orientação divina para tomarmos decisões inequívocas (Salmos 25.14). Finalmente, a iniciativa de aproximação é de Deus, mas cabe a nós ouvir e aceitar o convite do Criador para viver essa união diariamente.
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