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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

COLUNA LEITURA LIVRE | por Battista Soarez

COLUNA LEITURA LIVRE 
Por Battista Soarez
(Jornalista, escritor, sociólogo, teólogo e professor universitário)

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O perfil do verdadeiro político
Ainda existe perspectiva de se ter homens e mulheres honestos para governar o país com justiça e lisura de caráter?

No Brasil, a maioria dos eleitores vota por paixão e fica longe da razão | Foto: Divulgação.

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MEU JORNALISMO POLÍTICO começou em 1985, quando, no Jornal de Hoje do então senador João Castelo comecei escrever sobre o assunto e, logo depois, fazer reportagens sobre política. Na faculdade de comunicação social (habilitação em jornalismo) me interessei pelo jornalismo político devido a construção do discurso midiático que forma o pensamento da sociedade. Aprendi que a principal forma de fazer justiça social é através da política. E aqui começa um universo de problemas, soluções, ciência e grandes discussões que permeiam todas as entrâncias sociais a partir das bases estruturais que envolvem comunidades e classes. Leia esta matéria, compare, tire suas conclusões e vote com consciência e segurança nestas eleições de 2026.

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Neste artigo, a Coluna Leitura Livre desta semana discute o perfil do verdadeiro político, dando alguns exemplos típicos sobre a questão. Afinal, estamos em ano de eleições. “Político” é uma palavra derivada do latim politicus e do grego politikos. Como adjetivo, o termo é empregado para designar tudo que se refere ao governo ou ao poder público. Mas como substantivo designa o homem que exerce atividades públicas, ou seja, a arte de governar bem os povos. É óbvio que, no Brasil, a maioria dos políticos é corrupta e, portanto, eles prestam um mau serviço à sociedade, desviando o dinheiro público e deixando de fazer devidamente justiça à nação.

Aristóteles, no seu livro A política, definiu o homem, de modo geral, como ser político. Por que? Porque nós humanos vivemos em sociedade, dependentes de relações uns com os outros. Somos, de fato, grupo social e precisamos viver de forma organizada. E todas as formas de organização somente são possíveis por meio da política. Não somente Aristóteles, mas muitos outros estudiosos discutiram e discutem historicamente o ser humano como ser político.

Uma das principais e essenciais condições do ser humano é o fato de viver agregado a outros homens na intenção de realizar um fim ou de cumprir um objetivo de interesse comum, para o qual todos devem cooperar, ou trabalhar. Sendo assim, é inconcebível um homem viver sozinho ou ser chamado de auto-suficiente, pois assim ele deixa de ser homem, se torna um deus ou uma fera, ou simplesmente não-sobrevivente. As relações sociais são a tônica das ações políticas e os conflitos nessas relações  como as guerras, por exemplo  não deveriam existir.

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É importante a gente entender que a política é o estudo das formas como o homem se organiza no espaço público. Como ele busca a organização social ideal. Seu objetivo é estabelecer os princípios que se mostrem indispensáveis à realização de um governo. O homem deve, nessa lógica, trabalhar sua inteligência para tornar suas ideias aptas para colaborar com a evolução da humanidade, com honra, com honestidade, com respeito para com o próximo, isto é, com ética, com virtude e prudência. Assim, a política nos mostra doutrinas indispensáveis ao bom governo de um povo. E disso se deve extrair o perfil ideal do verdadeiro político que sabe desenvolver seu papel com sapiência, senso de justiça, respeito e honestidade.

Mas, de maneira inversa, outros se conformam em ser apenas espectadores da grandiosa conquista do pensamento e da ação. O político sábio é aquele que usa o conhecimento para o bom proveito do homem enquanto ser social, com bom caráter e inteligência eficaz (sempre produtiva), pois um sem o outro é apenas meia felicidade. Não basta ser um político inteligente. É preciso também ter o caráter devidamente apropriado para governar, legislar, executar e suprir. Os espectadores fracassam por desconsiderar sua condição, sua posição, sua origem e amizades. Nesse contexto, devemos ter uma nova postura diante da vida pública, com a ideia de que todos os homens são políticos. Uns para beneficiar e outros para serem beneficiados. Nessa dinâmica, temos que descartar o monótono, a mesmice, ou seja, tudo aquilo que nos ensinaram como correto e verdadeiro, mas que, de fato, não é. Assim, enfrentando novos desafios, quebrando barreiras e estabelecendo novas regras devemos ser agentes políticos de verdade, sem corrupção, sem inércia e sem tirania ideológica.

Para a compreensão do homem como um ser político, ele tem que experimentar sensações de dor e prazer, medo e coragem, justiça e injustiça, compreender uns aos outros, discernir o bem do mal, e assim todos os sentimentos desta ordem, cuja comunicação constitui a família do Estado e o Estado como família. Isto seria o ideal. Mas, infelizmente, estamos longe desse ideal.

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Conhecendo além dos aspectos superficiais das coisas no âmbito da política, principalmente a razão do ser, com certeza teremos uma condição de vida mais livre. Uma coisa é importante: não adianta nada compreendermos tudo isso, se não colocamos o Estado em primeiro lugar, antes da família, antes de cada indivíduo. Pois, como já foi dito, um homem que vive isolado não basta a si mesmo. Os homens devem viver em sociedade, praticando a política, respeitando o Estado, lutando pela dignidade humana, sabendo tolerar uns aos outros, agindo com virtude e prudência. Pois sem virtude, o homem é o ser mais incrédulo, sem fé, se tornando o mais feroz de todos os seres vivos. Nada mais sabe, para sua vergonha, que amar e comer. E apenas isso.

Com nossa nova visão do ser político, devemos ter, como fundamento, um Estado que possa garantir a felicidade de todos os seus habitantes, com a habilidade de dominar os diferentes tipos de paixão, livre do espírito da contradição. É preciso que o Estado tenha políticos com fidalguia de caráter, sabendo renovar esse mesmo caráter com naturalidade e com arte. Isto é alcançado quando as três partes do ser homem  corpo. alma e espírito   agem em conjunto, na busca do bem supremo, impulsionadas pelo amor que nos leva à verdade, à beleza e à justiça. Assim chegando a Ordem e Progresso.

No Brasil, sabemos, o voto é obrigatório. Por que? Simplesmente porque os políticos não se garantem conquistar a confiança do povo. Então eles fazem uso da força jurídica. Ninguém, todavia, deveria ser obrigado a votar ou confiar em políticos que se perdem em meio a revanchismos e discursos que violam direitos. Gerir o bem comum é para quem tem mais do que espírito de liderança. É para quem, de fato, considera o mundo como uma escola, que enxerga a vida como uma grande oportunidade de elevação moral.

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Não há razão de se enxergar privilégios, porque ser político é contrair ônus, deveres para com a sociedade, e não um meio de conquistar vantagens particulares. É abdicação, desprendimento, cuidado, zelo para com o que é de todos. Talvez essa ideia sirva para nortear o entendimento e desbancar aventureiros e oportunistas de serem chamados de políticos.

Estar a serviço de um país continental como o Brasil nunca deveria ser confundido com status, divertimento ou devoção, pois a vaidade partidária segrega e diminui o divergente, retirando dele o direito de exercer a cidadania. Se há mesmo política, a bipolaridade é a desgraça e a multiplicidade de visões e posturas à esperança de dias prósperos.

Se assim não for, segue-se colocando o lixo debaixo do tapete, relativizando o sofrimento e maquiando a realidade em favor de quem sempre se propõe a fazer mais do mesmo para assegurar privilégios próprios e de toda a sua casta. Infelizmente, no Brasil, o político esbanja o dinheiro público e ainda esnoba da cara do eleitor, usando-o como massa de manobra e comprando seu voto por migalhas financeiras que encurralam o pobre ainda mais num oceano de miséria e palidez social.

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